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Ele se reinventou após os 40

Atleta da Equipe Márcia Ferreira, Paulo Fernando da Cal perde 35kg, supera lesões e acidentes e faz do esporte sua vida.

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O pediatra Paulo Fernando Rodrigues da Cal lembra como se fosse hoje: ele estava em seu consultório atendendo um menino de 8 anos acima do peso quando, no fim da consulta, ouviu: “doutor Paulo, o senhor também é bem gordo.” Na época, ele tinha 42 anos e 110kg.

O comentário do menino soou como uma bronca e também um alerta. Sedentário ao extremo, Paulo nunca tinha jogado nem futebol de botão, como faz questão de dizer, e parecia não se incomodar. Falta de tempo, exemplos de obesidade na família, tudo era justificativa. Daquela vez, porém, uma luz amarela se acendeu. No dia seguinte, procurou um endocrinologista. A partir daí, sua vida mudou e, como fênix, aprendeu a se reinventar.

— Em três meses, perdi 27kg. Em um ano, já eram 35kg, só com reeducação alimentar, caminhada e academia. Todo mundo ficava em volta de mim querendo saber o que eu estava fazendo, achavam que tinha uma doença grave, que eu tomava remédio — diverte-se.

Após esse primeiro ano, descobriu a corrida. Até então, achava um absurdo uma pessoa sair correndo pelas ruas. Seu raciocínio era lógico: “se um animal irracional só corre por quatro motivos, fome, medo, ataque e sexo, por que eu, um animal racional, iria fazer isso?” Mas fez:

— Moro em Niterói e, da minha casa, via uns malucos correndo às 4h da manhã. Um dia, resolvi ir também. Corri 17km e não parei mais. Era uma época difícil, estava me separando, terminando uma sociedade. Eu não tinha dinheiro, mas comprei o tênis mais barato que encontrei e fui. O primeiro percalço apareceu no fim daquele ano, quando teve uma fratura por estresse. Tinha 44 anos e, como não podia correr, seu técnico disse que sua única opção era nadar. Uma opção excelente se ele soubesse como.

— Eu me afoguei aos 10 anos, então, tinha pânico de nadar. Não sabia. Mas resolvi encarar. Quando cheguei, o professor perguntou o que eu pretendia e respondi que queria fazer triatlo. Ele achou graça e falou que não imaginava como, já que nem nadar eu nadava. Isso é problema seu, eu disse. No ano seguinte, já estava nadando no mar. Nadei 500m, depois, 1.000m, 1.500m, 3.000m, até chegar à Travessia dos Fortes. Eu completei em 1h18m e me achei um super-homem — conta.

Empolgado, partiu para a última etapa do projeto: comprar uma bicicleta “simplesinha” — hoje, conta todo orgulhoso, tem seis, que usa para treinos específicos. Em 2005, competiu o X-Terra, em Ilhabela, e se qualificou para o Ironman Brasil, em Florianópolis, mas acabou não indo por causa de uma fratura por queda. Foram dois meses parados e uma grande frustração. Em 2006, uma nova oportunidade que foi por água abaixo. A apenas um mês da prova, foi atropelado por um caminhão durante um treino na Rio-Teresópolis. Outra fratura, dessa vez no braço, e o sonho mais uma vez adiado. Mas como tudo tem uma razão de ser, sua tão aguardada estreia em uma das provas mais exaustivas que existe aconteceu em grande estilo:

— Eu consegui ir em 2007, foi meu presente de 50 anos. Fiz em 12h13m e fiquei em sétimo na categoria 50-54 anos. Foi o must. Em 2008, depois de um meio Ironman nos Estados Unidos, mais um acidente, agora em um treino no bairro de São Francisco, Niterói:

— Esse foi terrível. Fui atropelado e quebrei cinco costelas. Fiquei 15 dias imóvel de repouso, descobriram que eu tinha 2,8 litros de sangue no pulmão, mas nem sentia nada. São provações pelas quais a gente passa. Mas eu sou escorpião com ascendente em escorpião. Sou determinado, não desisto.

Com a cota de acidentes cumprida, Paulo continuou sua saga no esporte. Hoje, já soma 15 meio Ironmen e está se preparando para o quinto Ironman. Neste domingo, estará em Nova York, onde disputará um duatlo no Central Park. No ano retrasado, ele terminou em segundo. O único brasileiro entre 600 participantes.

Aos 56 anos, Paulo é um entusiasta do esporte. Fez quatro pós-graduações na área e ostenta no seu consultório de pediatria uma foto enorme e o diploma do primeiro Ironman. No auge de seu emagrecimento, chegou a pesar 71kg e, agora, está com 82kg, mas avisa que precisa perder quatro porque anda “se sentindo uma bola”:

— Quem me conheceu obeso, fica pedindo a fórmula mágica, mas ela não existe. É tudo determinação. O esporte só não é mais importante do que o trabalho na minha vida porque é ele que sustenta o esporte.

Fonte: Blog Pulso

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