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Para onde caminha o triatlo no Rio?

Modalidade cresce, mas só com amadores. Falta de incentivo tira profissionais das provas no estado

Corrida, natação e ciclismo. O número de praticantes de triatlo aumentou significativamente no Rio de Janeiro nos últimos dois anos, segundo Julio Alfaya, presidente da federação fluminense da modalidade. Prova disso é que a primeira etapa do Estadual — que acontece no Aterro Flamengo, neste domingo, com largada prevista para as 7h15m — bateu seu recorde de inscrições. Ainda não existe uma pesquisa para quantificar este crescimento, mas especialistas já observam um novo rumo no perfil dos praticantes.

A prova receberá 500 triatletas. Este público será uma novidade para o atual bicampeão estadual Pedro Arieta, de 22 anos, que estava acostumado a competir em provas com 200 participantes, no máximo. A mudança não o assusta. O jovem sabe que a maior parte destes participantes é formada por triatletas amadores, que não possuem um desempenho de ponta.

Treinador de Pedro, Carlos Eugênio Ferraro — conhecido como Neném e casado com a triatleta Sandra Soldan, uma das referências brasileiras no esporte — afirma que o crescimento da modalidade fez com que o desempenho dos atletas profissionais caísse.

— Hoje, um atleta ganha uma etapa do estadual com 32 minutos. Há dez anos, com este mesmo tempo, ele não ficaria entre os 50 primeiros colocados — conta Neném. — Se antes os organizadores da competição preferiam investir nos atletas, agora eles optam por colocar mais dinheiro na estrutura do evento. Não existe mais premiação em dinheiro. O campeão ganha uma medalha e pronto.

Foco no amadorismo

Neném lembra que nas Olimpíadas de Sidney, em 2000, o Brasil foi com equipe completa: três homens e três mulheres. Para Londres-2012, evento que acontecerá em quatro meses, o país teve uma queda considerável. Até o momento, Reinaldo Colucci é o único brasileiro com o passaporte carimbado.

— Isto é reflexo dessa nova transformação que o esporte vem sofrendo — diz Neném.

Ex-triatleta de ponta, Roberto Tadau, o Dum, de 33 anos, reclama da diminuição de provas oficiais no Rio de Janeiro, que não recebe mais o campeonato nacional da modalidade. Junto com a questão da premiação, ele lamenta o fato de não existir um atleta que sirva de referência para a nova geração.

— Não existe incentivo no Rio de Janeiro. Atualmente, só temos um atleta de ponta por aqui. É o Raul Furtado, que treina em Itaipava — diz Dum, responsabilizando a federação fluminense por essa nova realidade. — A federação não investe na formação dos atletas. Ela está mais preocupada em desenvolver o esporte entre os competidores amadores. Na minha opinião, a entidade deveria se preocupar mais em fiscalizar a prova do que promover e organizar um evento.

Julio Alfaya não esconde que o triatleta amador virou o principal foco da federação. Segundo ele, a entidade não tem verba para investir na formação dos atletas de ponta e, por isso, é melhor investir no crescimento de praticantes.

— Investir no atleta de ponta é responsabilidade da Confederação, que está ligada ao Comitê Olímpico Brasileiro. Neste ano, a entidade recebeu mais de R$ 2 milhões pela Lei Piva. E o Rio de Janeiro não recebeu um centavo deste dinheiro — revela o presidente. — Pelo contrário, a federação é obrigada a mandar dinheiro para a Confederação. Eles cobram R$ 15 pela inscrição de cada atleta amador. Nas competições oficiais, é preciso mandar metade do valor da inscrição do atleta profissional. Por este motivo, não foi possível continuar organizando a etapa do brasileiro aqui no Rio de Janeiro.

Para Alfaya, o crescimento do esporte é um reflexo da procura, cada vez maior, das pessoas por qualidade de vida. E, na maioria dos casos, o início no triatlo é através das braçadas.

— O indivíduo sai da inércia e ganha um prazer pela atividade física. É um ciclo vicioso que leva a buscar outras opções de esporte — analisa o presidente. — O triatlo sofreu o reflexo do aumento do número de provas de corrida de rua e de participantes. No entanto, a principal porta de entrada no triatlo ainda é a natação.

Observando os alunos que aparecem em sua assessoria esportiva, Neném discorda de Alfaya. Para o treinador, este crescimento acompanhou o boom de provas de rua.

— Antes, a principal porta de entrada era a natação, mas isto mudou. A maioria dos meus novos alunos são oriundos da corrida — analisa Neném, explicando que risco de se lesionar no triatlo é menor. — O corredor treina todo dia o mesmo esporte. Um triatleta treina uma modalidade diferente por dia. No ciclismo e na natação, não existe impacto, o que diminui o risco de lesão.

No domingo, a primeira etapa do estadual estará dividida em duas provas. Uma é olímpica, com 1.500m de natação, 40km de ciclismo e 10km de corrida, e a Short (metade da distâncias). A largada será a mesma para ambas.

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