MFTeam é uma assessoria esportiva com mais de 18 anos de experiencia em Triathlon

Bate papo com Jair Toledo – Atleta MF Team

Atleta da Equipe Márcia Ferreira, Jair Toledo de Souza fez recentemente no Rio seu primeiro IM 70.3. Batemos um papo com ele sobre a prova e seus planos para o triathlon.


Há quanto tempo você pratica triathlon e como chegou a esta modalidade?

Faço triathlon há uns dois anos. Comecei depois de uns dois anos só de corrida. O desafio do triathlon foi interessante por que eu nadava quando criança. A natação sempre foi meu esporte favorito. Há quatro anos comecei a correr por que a rotina familiar e profissional me deixava pouco tempo para os exercícios.  A corrida se encaixava nos meus horários e nas viagens de trabalho. Depois de correr 5, 10 e 21K decidi pensar em desafios maiores. Não gosto da ideia da maratona e fazendo parta da equipe Márcia Ferreira foi fácil escolher uma nova modalidade.

Como foi a experiência de fazer um meio ironman, em casa? Como se saiu no Rio 70.3?
A prova foi incrível. Temperatura excelente, sem chuva e o mar muito bom para nadar. Tudo perfeito para meu primeiro 70.3. Vinha me preparando há alguns meses e desenhei metas para cada modalidade. Mas o maior objetivo era terminar bem a prova. Nos momentos antes da largada a ansiedade era grande. Pensava como seria a natação, se a descida da grota estaria molhada e se eu havia me preparado corretamente. Normalmente não fico ansioso antes das provas, mas era o meu maior desafio no esporte até hoje e eu nunca tinha feito as três modalidades juntas com todo  esse volume. 

Quando começou fiquei mais tranquilo. Comecei a nadar em um ritmo confortável e fui aumentando-o gradativamente. Na primeira boia já tinha ultrapassado alguns colegas e não estava mais no meio da confusão. Dai em diante foi tranquilo. Fui nadando no meu ritmo e aproveitando a paisagem. Deu para pensar bastante na vida durante os 35 minutos da natação. Terminei em excelente estado e confesso que podia ter apertado mais o ritmo. Na transição fiz o planejado, guardei a roupa de borracha, peguei o capacete e sai para pedalar. O pedal era o meu maior medo, pois é a modalidade que pratico há menos tempo. Mas foi uma excelente pedalada, principalmente depois da descida da grota funda, onde relaxei bastante, sabendo que havia só mais mais uma subida e um grande trecho plano de prova. O visual da prova ajuda a relaxar e me senti muito bem em todo o percurso. Fui me soltando e seguindo o ritmo confortável. Eu queria fazer o ciclismo em menos de três horas e consegui fazer em 2h51min sem problemas. O único desconforto apareceu já na última volta, com uma câimbra na coxa esquerda que me deixou em alerta.

Na corrida eu esperando repetir meus resultados de algumas meia maratonas de anos anteriores. Mas a câimbra no final do ciclismo e incômodos na coxa esquerda me fizeram controlar demais o pace no início e não consegui fazer a meia em menos de 2h. Mas as 2h09min me deixaram feliz, considerando todo o desafio do IM 70.3.

Quando e como surgiu a ideia ou a vontade de fazer a prova?
Já vinha pensando em fazer provas longas de triathlon há algum tempo. Acho que desde de que comecei na modalidade, inconscientemente eu pensava nisso. No início eu não treinava direito e não tinha a menor chance de me preparar para fazer bem uma prova dessas. No final do ano passado decidi que faria um IM 70.3 em 2016. Estabeleci isso como meta pessoal e foi ai que comecei a pensar nas provas. Conversei com a Marcinha (Márcia Ferreira, treinadora) e planejamos fazer a prova de Miami ou a do Rio, dependendo da minha vida familiar.

Quando começaram os treinos específicos tendo esta prova como alvo?
Os treinos começaram efetivamente quatro meses antes da prova. Mesmo porque antes disso eu era um atleta vaga-lume. Ou seja, treinava bem uma semana e sumia duas. Coisas da vida. O trabalho e a vida pessoal não me deixavam treinar. Confesso que às vezes também faltava vontade. (risos).

Foi duro administrar treinos, trabalho, família?
Conjugar família, trabalho e treinos foi bem difícil. Tive que conseguir novos horários de treino nas madrugadas, reduzir o tempo de sono, buscar energia para não deixar de brincar com minha filha e dar atenção a ela e à esposa. E continuar, como ela gosta de falar, um workaholic. Tive que dosar mais as coisas, pois não tinha como fazer as tudo com a mesma intensidade de antes. Mas com o apoio da família, uma excelente equipe no trabalho e uma equipe de treinos como a Márcia Ferreira foi possível. Muitas vezes alguma das partes reclamava, mas acredito que deu para levar na boa.

Completar uma prova 70.3 muda de alguma forma sua visão ou disposição de continuar a praticar triathlon? Qual o alvo a partir de agora, um IM?
O triathlon é um esporte fascinante e uma prova como o 70.3 faz você repensar toda a sua vida. Realmente não consigo viver me preparando para uma prova dessas todos os anos. A família e o trabalho não aguentam. Mas pretendo continuar fazendo triathlon na modalidade olímpico e em alguma oportunidade futura voltar para o 70.3

O que importância o triathlon tem para você atualmente?
O triathlon atualmente é meu relaxamento. O momento que tenho pra ficar só e pensar nas coisas da vida. É algo saudável e que me deixa com mais disposição para os desafios da vida. O pessoal do trabalho às vezes reclama que depois do pedal da madruga chego energizado demais (risos).

É possível levar para a rotina profissional e familiar experiências do esporte?
Sem dúvida o autoconhecimento que o triathlon e as provas longas te dão, conjugado a determinação e foco, são experiências do esporte que trago para minha vida pessoal e profissional. Sem dúvida me sinto muito melhor hoje do que nos tempos em que estava sedentário e trabalhava demais. Hoje, o que busco é um maior equilíbrio entre minha vida familiar, profissional e esportiva para poder seguir com todas em harmonia.    
Share