A prova do Ironman Brasil foi indiscutivelmente uma das mais emocionantes de se assistir. Eu, Márcia Ferreira, acompanhei a garra, a luta e a determinação de todos da Equipe que concluíram com sucesso. Algumas fotos de integrantes da Equipe e relatos sinceros de atletas que sentiram o orgulho de completar esta prova tão desafiadora. Parabéns a todos !!!
FOTOS PICASAWEB
Relato Fábio Dias no Ironman Brasil
Florianópolis, 30 de maio de 2010
– Ironman Day
Finalmente chegou o dia do Ironman. A preparação para a prova foi
dura, principalmente conciliar a rotina de treinos diários com o trabalho,
viagens, família, amigos. Foram mais de 4 meses de treinos com acompanhamento
profissional (Márcia Ferreira). Volume semanal médio: ciclismo
(200 km), corrida (50 km) e natação (7 km).
Na noite anterior, um pouco de ansiedade
e não consegui dormir direito, muito estranho, pois tenho grande facilidade
para dormir, mas nesta noite, fechava o olho e via o tempo passar, sem
conseguir dormir.... a ansiedade estava tomando conta de mim.
04:30 AM: antes do despertador tocar,
levantei. Tomei um banho e fui para o café da manhã, neste momento
percebi que não estava sozinho naquela ansiedade. O hall do hotel e
a rua já estavam lotados. Por incrível que pareça já tinha gente
até com a roupa de borracha! Apesar de não ter dormido direito, me
sentia forte, preparado para aquele dia.
A previsão era de chuva, pelo menos
era o que indicava a semana inteira. Lição aprendida, não acreditar
na previsão do tempo! A temperatura estava bem agradável, um friozinho
bem suportável , em torno de 15 graus e nada de chuva, apenas
uma fina neblina no ar.
Procurei não fazer nada diferente
da minha rotina. Tomei 2 copos de suco, comi um sanduíche de queijo
branco com peito de peru, salada de fruta com iogurte, um café da manhã
bem farto. Aproveitei a infraestrutura do hotel para preparar um sanduíche
para comer antes da largada. Subi para terminar de me arrumar e segui
com meu pai, Adolfo e Adriano de carro para a área de transição.
Ainda teríamos acesso à bicicleta e às sacolas “special needs”.
Fiz a última verificação da bike, estava muito preocupado com o pneu,
pois no dia anterior a válvula tinha vazado um pouco, mas ufa!, estava
tudo OK. Segui para a tenda de transição e coloquei os últimos mantimentos
dentro das sacolas. Guardei o casaco, chinelo, short dentro da sacola
e comecei a colocar a roupa de borracha.
Neste momento já estava uma
grande aglomeração, imagina só 1650 atletas na área de transição
com a mesma preocupação. Neste momento mantive a concentração e
a regra estabelecida para a prova, muita comida e hidratação. Comi
uma banana e tomei um energético.
Agora sim, devidamente hidratado e
emborrachado (com a roupa), segui junto com o fluxo para a largada.
Neste momento encontrei o Gustavo Adolfo, Bomba, Adolfo. Seguimos todos
juntos.
Chegando na praia, encontrei com o
Eduardo que também estava bem ansioso para a largada, seguimos pela
areia até a área da largada. Passei pela minha treinadora (Márcia
Ferreira) que perguntou se estava tudo bem... mostrei tranqüilidade,
mas estava um pouco nervoso.
Quando entrei, avistei meu pai na arquibancada,
pausa para algumas fotos antes do tão esperado momento. Uma grande
confusão estava formada no lado direito da largada. Neste momento estava
junto com o Raphael Pazos, que já possui experiência em 3 outras edições
do Ironman. Ele me recomendou ficar mais atrás e no lado esquerdo para
evitar tumulto. A prova é longa, não seriam 2 minutos que iriam fazer
diferença, segui o conselho.
Tocou o Hino Nacional e neste momento fiquei extremamente emocionado
e um filme de tudo que vivi nos últimos meses passou na minha cabeça.
Eu estava preparado para aquilo.... Um pensamento veio forte na minha
cabeça: “O mais difícil não é completá-lo e sim chegar na linha
de largada.. e aqui estou então vou completar!”
Um pouco antes da largada o sol nasce,
olho para o horizonte, céu vermelho, helicóptero sobrevoando os atletas,
parecia um quadro, cenário perfeito para aquele dia! 7hs zoa
a buzina de largada e o cronômetro é disparado! Um batalhão de atletas
corre freneticamente em direção ao mar.
Esperei um pouco e caminhei em direção a água. Na posição que estava
tive que nadar um pouco mais na direção da primeira bóia, entretanto,
nadei sem tumulto, tornando os primeiros minutos bem agradáveis. Me
senti bem e segui na estratégia definida para aquela etapa. A meta
era nadar tranqüilo para sair bem da água. O mar estava mexido, mas
certamente mais tranqüilo do que as previsões, apesar do sobe e desce
de ondas a natação estava fluindo bem.
Depois de passar pela primeira bóia
(960m) fiquei um pouco embolado com outros atletas e não consegui enxergar
a segunda bóia. Segui o fluxo e tive que fazer um ajuste no final para
passar pela segunda bóia. Depois foi seguir em direção a praia. A
correnteza estava ajudando e estava até ultrapassando alguns atletas.
Passei pela areia, procurei meu pai e lá estava ele, pose para foto
e e segui firme para a segunda volta.
Também tive um pequeno desvio na segunda bóia e acabei nadando um
pouco mais. Cruzei o pórtico e vi o tempo de 1:12... minha previsão
era 1:20, então fiquei feliz estava na previsão e super inteiro. Segui
para a transição.
Deitei e os staffs retiraram a roupa de borracha, segui com uma corridinha
até a tenda, aproveitei para ultrapassar algumas pessoas neste trecho,
estava me sentindo super bem.
Na área de transição tinha muita
gente, parecia que todo mundo tinha saído junto da água. Não tinha
uma cadeira para sentar! Fiz a transição com muita calma (talvez ate
demais), foram 12 minutos onde coloquei a roupa para o ciclismo, capacete,
luva e óculos e me equipei com toda a comida que seria consumida (4
batatas, sanduíche, barras de proteína e 6 carboidratos em gel)
Sai da transição bem animado e no
melhor estilo sprint... já fui ultrapassando muita gente. Segui forte
nos primeiros quilômetros, com média próxima de 38km/h. Tinha treinado
para isso e estava bem tranqüilo ultrapassando vários atletas. Neste
momento um atleta ficou no meu vácuo e acabou sendo punido pela organização,
isso iria se repetir mais 2x ao longo da prova.
O ciclismo é minha melhor etapa,
mas mesmo assim achei muito longo! Foi muito importante os momentos
em que passava pelo público, sempre vendo minha mãe e recebendo sua
grande energia. Depois de completar a primeira volta, segui firme para
a segunda volta. O vento estava mais forte e mesmo me sentindo bem,
optei por segurar o ritmo.
Para minha surpresa nos kms finais
do ciclismo encontrei meu pai a paisana no meio da estrada. Fiz um retorno
na estrada e tive o prazer de ser acompanhado pelo meu pai de carro.
Enquanto me concentrava na pedalada, meu pai tirava ótimas fotos e
me apoiava, foi um grande momento no ciclismo.
No final reduzi mais um pouco para
fazer um giro (aumentar a cadência da bicicleta ) e preparar as pernas
para a Maratona. Fiquei feliz com o tempo, novamente dentro das previsões
5h28min. Fiquei com o sentimento que poderia ter feito 10 a 15 minutos
melhor o ciclismo, mas não sei qual seria o custo disso para a corrida.
Fiz a transição bem tranqüilo novamente,
troquei de roupa, hidratei e me preparei para sair para a maratona,
foram 8 minutos na transição. Troquei toda a roupa e sai para correr,
as pernas estavam respondendo conforme os treinos, fiquei animado e
confiante e isto era tudo o que eu precisava, pois afinal de contas
eu iria correr uma maratona , seriam 42 Km !!
O ritmo começou
sem muito esforço perto de 5:30min/km, o que estava dentro da minha
estimativa.Uma chuva fina passou a cair, mas nada de assustar, até
refrescou mais.
Não sabia que o trajeto da maratona
era tão duro... a partir do km 9 muitas subidas.. sobe e desce... como
estratégia caminhei nas subidas.... mas seguia bem no ritmo, passei
no 21km com 2h10min. O que era um ótimo tempo para esta distância.
Mas, no km 25 comecei a sentir o cansaço da prova. Estava me sentindo
bem, porém o ritmo já não encaixava mais. Comecei a ver o pacing
(ritmo ) reduzindo até estar correndo próximo de 7min/km. Neste momento
resolvi caminhar nos postos de hidratação para recuperar e depois
seguir correndo. Boa estratégia, conseguia caminhar e depois correr
em um ritmo lento, mas constante.
Neste momento a força da minha família ajudou novamente. Eu passava
correndo e mamãe gritava (Vai meu filho!) e me apoiava, papai tranqüilo
vendo que eu estava bem, nunca tive dúvida que conseguiria terminar,
incrível mas desistir nunca passou pela minha cabeça, estava muito
forte.
Olhei no relógio e precisava manter
o ritmo para terminar abaixo de 12 horas... e foi exatamente o que fiz,
mantive o ritmo. Incrível como na corrida você recebe apoio. Muitas
pessoas gritando o seu nome, muita energia transmitida.
Nos últimos quilômetros ainda encontrei
com minha treinadora que não me deixou caminhar... “NADA DE ANDAR”...
não tive como recusar o convite e voltei a correr rumo a chegada.
Na reta final minha mãe correu comigo
e cruzamos a linha de chegada juntos!!! Que maravilha, após 11h52min
de prova... Sou um Ironman!
É muito difícil descrever o sentimento
da prova, realmente é preciso cruzar a linha de chegada para saber.
Sempre tive dúvida se poderia fazer uma prova de ironman. Hoje posso
dizer: “O ser humano é capaz de fazer qualquer coisa, basta acreditar
e ter determinação”. O ironman é mais que uma prova de endurance
é uma preparação para os desafios da vida através do fortalecimento
do corpo e da mente. Agradeço a todos por vencer mais uma etapa da
minha vida, especialmente minha técnica e minha família.
|